Os Sonhos Impossíveis de Lourenço na Corrida à sua Sucessão
O MPLA deverá escolher entre múltiplos candidatos o eventual sucessor de João Lourenço como Presidente da República de Angola. Quer isto dizer que no congresso do partido marcado para 9 e 10 de dezembro surgirá mais do que uma candidatura, e os nomes aparecerão em função das diferentes sensibilidades existentes no MPLA.
Fernando Miala e Ana Dias Lourenço: Desejos Distantes
À medida que o calendário político avança, o cenário sucessório em Angola assemelha-se a um tabuleiro de xadrez onde o actual Presidente parece lidar com “sonhos impossíveis”. No topo das suas preferências figuram nomes de confiança estrita, como Fernando Garcia Miala e a Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço.
Contudo, analistas sugerem que estas são opções de difícil concretização. Miala enfrenta resistências internas na ala histórica, enquanto a hipótese da Primeira-Dama esbarra no fantasma do “nepotismo dinástico” que o próprio Lourenço combateu.
A Estratégia do “Árbitro Final”
Percebendo que a imposição directa de um nome poderia fracturar o partido, João Lourenço parece ter adoptado uma postura de recuo estratégico. Sem se comprometer publicamente com um “herdeiro”, o Presidente deixará para as diferentes sensibilidades do partido a tarefa de apresentarem os seus candidatos.
Um Congresso de Múltiplas Sensibilidades
Pela primeira vez em décadas, o congresso de Dezembro promete quebrar o tabu da candidatura única. O partido deverá ser forçado a discutir projectos de governação e não apenas figuras de lealdade. O desafio será garantir que, após o dia 10 de dezembro, o MPLA continue a ser uma força coesa.
O “sonho” pode ter mudado de forma, mas o objectivo de manter o poder continua a ser a bússola que guia os movimentos no Palácio da Cidade Alta.
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