João Lourenço seria bom presidente, sim… SE.
O abismo entre os milhões do entretenimento e a carência do povo.
Em Luanda, a terça-feira não foi dia de festa, embora os cofres do Estado continuem a financiar eventos de luxo e figuras mundiais. Enquanto o Executivo investe no “brilho” externo, as ruas do Benfica e do São Paulo gritam por pão, táxi e segurança. A realidade é crua: as pessoas estão a “pensar com a barriga” porque a cabeça já não aguenta o cálculo de um salário que não chega ao meio do mês.
— Feliciano Lussati, professor.
As Prioridades Invertidas
O desenvolvimento real de Angola não se mede por concertos internacionais, mas pela estabilidade destes seis pilares básicos:
- 1. SEGURANÇA ALIMENTAR Hoje o cidadão escolhe entre o pão e o transporte. A fuba e o óleo tornaram-se artigos de luxo para quem ganha o salário mínimo.
- 2. SANEAMENTO E ÁGUA Bairros inteiros submersos no lixo e na lama em 2026. A malária agradece a falta de visão do Estado.
- 3. SAÚDE DE EMERGÊNCIA A falta de um simples paracetamol ou de luvas em hospitais contrasta com os biliões gastos em “marketing” presidencial.
- 4. EDUCAÇÃO DIGNAR Crianças a estudar no chão enquanto palcos de milhões são montados para entretenimento passageiro.
- 5. TRANSPORTES PÚBLICOS A paralisação dos taxistas revelou a ferida: sem o “azul e branco”, Luanda para e a fome aperta.
- 6. DIÁLOGO SOCIAL Um governo que prefere a força à conversa é um governo que teme o seu próprio povo.
As marcas da destruição e as lojas fechadas em Luanda são o sintoma de um desespero que o entretenimento não cura. Se João Lourenço quer ser lembrado como um bom presidente, terá de trocar os concertos de luxo pela gestão da cesta básica.
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