Ataque jihadista em Bamako deixa feridos, suspende voos e eleva tensão no Mali
Há um comunicado oficial do Exército informando que um grupo terrorista atacou a escola de gendarmaria de Fanagier, em Bamako, no Mali. Segundo as primeiras informações, trata-se de uma ofensiva jihadista, embora a situação ainda seja considerada confusa e incerta.
De acordo com fontes locais, o principal alvo dos atacantes seria uma base de drones localizada próxima ao aeroporto da capital malinesa. O quartel da gendarmaria foi atingido nas primeiras horas da manhã, e ao menos dois agentes ficaram feridos, conforme confirmou uma fonte militar do país.
Testemunhas relataram a presença de intensa fumaça sobre o acampamento atacado. Também foram ouvidos disparos em outro ponto da cidade, na saída de Bamako pela rodovia nacional 7.
Ainda segundo relatos, civis que seguiam em direção ao aeroporto foram interceptados por homens armados, que ordenaram o retorno imediato para suas casas. Como consequência, os voos chegaram a ser temporariamente interrompidos.
Apesar de o Exército afirmar que a situação está sob controle, fontes independentes dizem que ainda não é possível garantir a retomada total da normalidade. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a identidade dos responsáveis.
O governo maliano classificou o episódio como “ataque terrorista”, termo frequentemente utilizado pelas autoridades para se referir a grupos jihadistas. Fontes independentes afirmam que os combatentes tentaram atingir a plataforma de drones do Exército e, em seguida, atacar o quartel para tomar armamentos. Ainda não há confirmação se conseguiram levar armas do local.
Lançador de foguetes
Uma fonte de inteligência relatou o uso de lançadores de foguetes pelos atacantes.
O Mali foi palco de dois golpes de Estado, em agosto de 2020 e maio de 2021. Desde então, o país é governado por uma junta liderada pelo Coronel Assimi Goïta. Na sequência, seus vizinhos, Burkina Faso e Níger, também sofreram golpes militares.
O ataque de terça-feira lança dúvidas sobre a narrativa das autoridades malianas de que reverteram a situação contra os jihadistas a seu favor. Em 2022, os jihadistas realizaram um ataque igualmente audacioso contra o campo militar de Kati, um reduto da junta militar localizado a cerca de quinze quilômetros de Bamako.
Desde 2022, os militares no poder romperam a antiga aliança com a França e seus parceiros europeus, voltando-se militar e politicamente para a Rússia.
Eles multiplicaram os atos de ruptura, expulsando a missão da ONU, Minusma, e denunciando o acordo assinado em 2015 com os grupos separatistas do norte, considerado essencial para a estabilização do país.
Há um ano, fundaram uma Aliança dos Estados do Sahel com os regimes militares do Burkina Faso e do Níger e, juntos, anunciaram a sua saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que acusaram de ser subserviente à antiga potência colonial francesa.
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